Introdução
Para os adolescentes que crescem com o celular na mão, as redes sociais fazem parte da vida. Mas, à medida que o tempo gasto nelas aumentou, a depressão e a ansiedade entre os jovens também cresceram. Qual é a relação entre esses dois fenômenos? Vamos entender a saúde mental dos adolescentes na era digital e o que pais e professores podem fazer.
O essencial
O cérebro adolescente e as redes sociais
Na adolescência, o sistema de recompensa do cérebro (o estriado ventral) é muito sensível, enquanto a área responsável pelo controle dos impulsos (o córtex pré-frontal) ainda está em desenvolvimento. As "curtidas" e o número de seguidores estimulam a dopamina e geram um forte efeito de recompensa, o que pode levar ao uso compulsivo. Além disso, numa fase em que a comparação com os colegas e a necessidade de aprovação são intensas, comparar-se com imagens editadas pode prejudicar muito a autoestima.
A relação entre redes sociais e depressão na adolescência
Há estudos que mostram que adolescentes que usam redes sociais por mais de três horas por dia têm o dobro de risco de depressão e ansiedade. Entre os caminhos que explicam essa relação estão a exposição ao cyberbullying, a perturbação do sono (uso antes de dormir), a insatisfação com a imagem corporal e o FOMO (medo de ficar de fora). No entanto, a causalidade é bidirecional: adolescentes deprimidos também tendem a depender mais das redes.
O papel de pais e professores
Conversa e educação funcionam melhor do que proibição. Ensine educação midiática (a capacidade de consumir mídia de forma crítica) e combinem juntos as regras de tempo de uso. Interesse-se pelas atividades on-line do seu filho sem vigiá-lo, e incentive atividades fora das telas e relações presenciais.
O que diz a pesquisa
Em 2023, o Surgeon General dos Estados Unidos emitiu um alerta oficial sobre os riscos das redes sociais para a saúde mental dos jovens. Segundo as pesquisas de Jean Twenge, depois de 2012 (quando o smartphone se popularizou), as taxas de depressão e suicídio entre adolescentes americanos aumentaram drasticamente. Ainda assim, o tamanho do impacto das redes sociais continua sendo debatido no meio acadêmico.
Como praticar
- Definam em família as regras de tempo de tela (por acordo, não por proibição unilateral).
- Limite o uso do celular nos quartos (com uma estação de carregamento da família).
- Criem pelo menos uma vez por semana um tempo familiar livre de telas.
- Converse com seu filho sobre o conteúdo que ele vê nas redes ("Será que isso é real?").
- Escute sem julgamento as experiências on-line dele.
No dia a dia
Pergunte com naturalidade: "O que você viu nas redes hoje?". Conversem com antecedência sobre o que fazer em caso de cyberbullying. Incentive a participação em atividades presenciais, como esportes, grupos e trabalho voluntário.
Cuidados
- Se seu filho estiver sofrendo muito por causa das redes sociais, procure um profissional.
- Revise também os seus próprios hábitos com o celular. As crianças imitam o comportamento dos pais.
- Se ele tiver sido exposto a conteúdos sobre automutilação ou suicídio, busque ajuda imediatamente; em caso de risco iminente, ligue para o número de emergência ou para um serviço de apoio emocional da sua região.
Uma palavra de Alma
O mundo da tela e o mundo real são diferentes. Um amigo de verdade não se mede em "curtidas": é quem fica ao seu lado quando as coisas apertam. De vez em quando, deixe o celular de lado e olhe para o céu. Alma torce pelas suas conexões de verdade.